quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

O Ursinho Polar (parte 1)

Esta é a primeira parte da história do Ursinho Polar, que escrevi a propósito de uma anedota ouvida há uns anos na Praia Deserta ao largo de Faro.

Foi com esta história que comecei o workshop sobre a Lua Astrológica que conduzi no Porto no passado dia 26 de Janeiro.

Assim, quem não esteve pode ler aqui a primeira parte. E quem esteve, pode recordar o início daquele que foi um dia maravilhoso em que tantos insights partilhámos sobre a infância, as necessidades emocionais e as etapas mais precoces, largamente inconscientes, do nosso desenvolvimento psicológico com os diferentes padrões que a partir daí se formam.

Porque a metáfora, a poesia e a literatura são, no meu preconceito, uma das maneiras mais maravilhosas de reconhecermos os temas arquetípicos que na nossa vida se reencenam uma e outra vez...

O URSINHO POLAR

Era uma vez um ursinho polar. Um dia o ursinho foi ter com a mãe e perguntou-lhe a tremer:

Oh Mãe!, tens mesmo a certeza que eu sou um ursinho polar, mesmo purinho purinho??

E a mãe respondeu-lhe.

- Claro que és um ursinho polar. Eu sou uma ursa polar pura, o teu pai é um urso polar puro. Concerteza que és um urso polar! Qual é a dúvida?! Agora duvidas da tua família? Depois de tudo o que fiz por ti, ainda vens duvidar que és o mais especial dos ursinhos polares e que dei tudo para fazer de ti o urso que és hoje. Seu ingrato… depois de tudo o que fiz por ti… desde que nasceste nunca mais voltei a ursar como ursava antes.

E a mãe ficou a lamentar-se da sua triste sina e da ingratidão do ursinho.

O ursinho suspirou, cabisbaixo, e sobrecarregado com o peso da culpa foi ter com o avô e perguntou-lhe:

- Oh Avô!, tens mesmo a certeza que eu sou um ursinho polar, mesmo purinho purinho?

Ao que o avô respondeu numa voz rouca e calorosa, enrolando os bigodes com a pata direita e o focinho impondo-se orgulhosamente no ar.

- Oh meu neto! És um ursinho dos mais puros, um ursinho puríssimo! Todas as gerações antes de nós eram ursos polares da raça mais pura da espécie mais pura, os pioneiros do glaciar. Tu descendes da mais pura raça de ursos polares de que há memória. Sabes, quando eu era um ursinho da tua idade,…

E enquanto o avô enrolava os bigodes e relembrava o passado o ursinho correu para o pai

- Oh Pai, eu sou mesmo um ursinho polar, mesmo purinho purinho?

- Claro que és!

E o pai abraçou-o e perguntou-lhe:

- Por quê, meu filho, por que perguntas se és mesmo um ursinho polar, meu querido filho?

E responde o ursinho a tremer, quase a chorar e abraçando-se a si próprio: “tenho frio!...”


Esta história, que é o pretexto para vos contar uma outra história dentro da história, pode ser lida como uma anedota, uma estória inconsequente que nos faz sorrir ou embevecer ao imaginar o ursinho cheio de frio na sua pele.

Mas esta mesma história também pode ser lida metaforicamente, se lhe impusermos uma certa grelha de leitura. A grelha de leitura de quem pensa o mundo em termos de arquétipos, de grandes princípios universais que se repetem milhões de vezes, em miríades de formas diferentes, mas que nos ensinam sobre os temas fundamentais e eternos da natureza humana através, e apesar, das suas múltiplas experiências humanas no mundo. A grelha de leitura de quem vê a vida como a manifestação de processos dinâmicos e energéticos regidos por leis rigorosas e que têm como fundamento, e como destino mais glorioso, a produção de consciência.

Era uma vez um ursinho polar.

Todas as histórias começam com “era uma vez…”. Naquele tempo, in illo tempore, num tempo remoto, sem data nem início, não num qualquer momento no passado, porque de repente já havia - já tinha começado… sem começar.

Os tempos sem tempo criam um rompimento no fundo da memória, e assim nos podemos abrir a uma história eterna, que sempre existiu e sempre existirá, e ela assim pode fluir através de nós, sem estranheza e sem necessidade de reconhecimento, e a história circular pode manifestar-se num ponto do tempo, o do momento em que ouvimos a história pela primeira vez, de cada vez. O ponto no círculo do eterno é o eterno aqui e agora.

Era uma vez é a ligação do aqui e agora com outro aqui e agora que tanto existe no passado como existirá no mesmo sítio no futuro, sempre no mesmo sítio e em todos os tempos possíveis, ao mesmo tempo. Ou em sítio nenhum, em tempo nenhum. Simplesmente uma vez.

Era uma vez… um ursinho polar.

Um ursinho polar é uma personagem com quem é fácil identificarmo-nos. Provavelmente dócil, fofinho, peludo, inofensivo – e branco. Uma personagem do imaginário infantil, com reminiscências de peluche e a pureza da branca de neve. O arquétipo perfeito da parte mais inocente, principiante, inofensiva e desprotegida de nós.

Um dia o ursinho polar foi ter com a mãe e perguntou-lhe a tremer: tens mesmo a certeza que eu sou um ursinho polar, mesmo purinho, purinho?

Não é difícil assumir que o ursinho tremia por estar inseguro, ou com medo no momento de fazer a pergunta, porque temos a tendência profundamente humana de projectar a nossa própria subjectividade sobre o exterior e sobre os outros, interpretando – e reduzindo – tudo à nossa própria escala.

Assim como ao deprimido tudo parece triste e sem graça e ao agressivo tudo é sinal de ameaça hostil, à pessoa que não confia no seu próprio valor qualquer comentário dos outros soa a julgamento depreciativo e criticismo e ao sexualmente reprimido tudo parece imoral, sujo e mau – assim estamos todos condenados a fazer julgamentos que nascem das nossas interpretações subjectivas, assumindo que é a verdade a nossa própria produção subjectiva de significados.

E quando treme o ursinho polar ao dirigir-se à mãe, é fácil assumir que é por desconforto emocional, insegurança ou por estar amedrontado quando lhe pergunta sobre a sua verdadeira origem: tens mesmo a certeza que eu sou um ursinho polar, mesmo purinho, purinho?

A primeira pessoa para quem nos viramos em busca de conforto e segurança, perante as inquietações da existência ou simplesmente para encontrar colo, calor e comida, é a nossa mãe.

Desde o nascimento estamos instintivamente programados para buscar um seio e nesse seio refúgio, espelho da nossa identidade, confirmação da nossa existência, protecção, sobrevivência.

Todos nascemos com a expectativa arquetípica de que um mamífero mais forte, mais seguro, mais auto-suficiente nos proteja e cuide até sermos capazes de o fazer por nós próprios. E sabemos que é da qualidade dessa primeira interacção que depende a futura capacidade de nos tranquilizarmos a nós próprios e de cuidarmos dos outros, de nos sentirmos merecedores de colo e carinho, de confiar que a vida é boa e sempre satisfará as nossas necessidades de afecto, segurança, protecção e nutrimento, venha ele sob a forma de amor, dinheiro, alimento ou gratificação e bem-estar emocional. E de podermos dar aos outros o que nós próprios recebemos, porque é difícil poder dar o que se não recebeu.

E sabemos, por isso, que a capacidade instintiva da mãe empatizar com o filho, reflectir os seus sentimentos e saber acolhê-los, de sintonizar o seu ritmo emocional com o ritmo da sua criança, saber espontanea e imediatamente como responder a esses estímulos emocionais – essa capacidade não nasce da reflexão, da análise, de ponderação das várias possibilidades, da lógica e do questionamento, de ler livros ou assistir a cursos sobre como cuidar do bebé.

Nasce, sim, de um instinto inato que eclode nas próprias entranhas, do à-vontade com os próprios sentimentos, com a qualidade da sua própria experiência emocional, da qualidade da sua relação com a sua própria mãe e com a capacidade daquela lhe ter espelhado de forma pura os próprios sentimentos – e da capacidade de receber, simplesmente, o que o filho lhe traz a cada novo momento, aceitando e validando os estímulos e reacções emocionais pelo que são – sentimentos que, pela sua própria natureza, não obedecem a regras da lógica, não precisam de justificação, e não têm nada que ver com o próprio desempenho como mãe.

Mas para isto, é preciso que a mãe não interprete pessoal e subjectivamente as reacções emocionais do próprio filho – isto é, que saiba aceitar a dinâmica própria dos sentimentos do outro sem que tudo tenha necessariamente que ver consigo, com o seu valor como mãe, com o seu desempenho materno. Em suma, sem que a insegurança do filho active a sua própria insegurança interna.

Se não, a insegurança ou instabilidade no filho vão fazer emergir a dolorosa insegurança e instabilidade na própria mãe, que não vai poder acolher, aceitar e validar os sentimentos do outro sem julgar ou julgar-se, sem questionar ou questionar-se, sem duvidar de si própria, sem cair na facilidade da auto-justificação, na culpabilização ou no lamento.

Mas esta ursa não tinha espaço para acolher os sentimentos do filho (...)

(© Nuno Michaels 2007. Todos os direitos reservados)

terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

As minhas últimas criações literárias...


... escritas para acompanhar as imagens magníficas criadas pelo Pedro Jeremias para cada um dos doze signos do Zodíaco.

O Pedro disponibiliza estes criativos AstroPresentes, que podem ser encomendados através do seu site, aqui: http://astroprendas.blogspot.com/

Os textos são meus e também é mea culpa que Balança, Escorpião e Sagitário ainda não façam parte da lista.

Mas também, Sagitário foi-se embora, Escorpião não quer estar à mostra, e Balança.. balança depende :-)


Parabéns ao Pedro pela ideia e pela iniciativa, e daqui já o meu abraço!

quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008

uma Mensagem urgente

Hoje quero falar sobre o que tenho vindo a observar à minha volta nas energias colectivas e nas efemérides planetárias.


Amanhã, dia 8 de Janeiro, há uma Lua Nova no grau 17º de Capricórnio.


Mercúrio estará a passar de Capricórnio para Aquário.


Júpiter está em Capricórnio.


Saturno está em Virgem, e Urano continua o seu trânsito por Peixes.


Neptuno continua o seu trânsito por Aquário e Plutão no dia 26 atinge o grau 0 (zero) de Capricórnio. A entrada de Plutão em Capricórnio é um acontecimento que não ocorre desde há cerca de duzentos e cinquenta anos.


E o que é curioso é que da vez anterior que Plutão passou por Capricórnio ainda não era conhecido. E quando foi avistado, por um senhor chamado Percival Lowell no ano de 1930, ele transitava o signo de Caranguejo – o signo oposto e complementar de Capricórnio, onde se prepara para entrar.


Durante todo este ano Plutão vai estar a passar entre os graus 29 de Sagitário e o grau 1 de Capricórnio.


Os últimos anos, da passagem de Plutão por Sagitário, têm sido anos de tremendo drama. Drama, ou dramas, que emergiram essencialmente da desorientação espiritual da Humanidade, obrigando a rever valores e ir em busca de novos valores. Por isso nós estamos aqui, em busca de novas referências e valores espirituais.


Tivemos 13 anos da passagem de Plutão por Sagitário. E agora, o último ano em que Plutão passa por Sagitário nesta nossa encarnação, é altura de começar a dar forma (Capricórnio) àquilo que é a Verdade da nossa Alma.


Isto implica que nós temos todos de rever as estruturas nas nossas vidas pessoais.


Isto implica também termos um vislumbre de quem queremos ser, de em quem nos queremos tornar.


A passagem de Saturno em Virgem diz “quais são os conhecimentos, as técnicas, as ferramentas, as actividades, as rotinas diárias, a higiene, o exercício, o cuidado da psique através da soma, ou do corpo, o que é que tu precisas de reunir e construir como técnica, ferramenta, conhecimento, disciplina, organização da vida prática, de modo a poderes começar a lançar as pedras basilares da nova estrutura que queres criar de ti próprio, em ti próprio, na tua vida?”


Nós sentimos quotidianamente as tensões tremendas que existem nos Céus. Marte oposto a Plutão. Observamos os dramas de criminalidade, frustração, desmarcarem o Lisboa-Dakar, máfias a serem descobertas no nosso país, o sub-mundo e a violência da noite, a revolta das pessoas contra as novas proibições do tabaco, a guerra que continua nos países todos, a maneira como as pessoas conduzem, a quantidade de ambulâncias que circulam diariamente nas estradas da cidade… Existe muita tensão. E essa tensão tem a ver com o processo de alinhamento que é pedido a todos mas nem todos podem responder. E esse alinhamento é o dos desejos do ego, da personalidade, com a Vontade da Alma.


Se formos saturninos, podemos reconstruir estruturas. Mas temos de ser saturninos, temos de definir objectivos, temos que nos organizar na prática, temos de fazer contas, temos que gerir o tempo, temos que fazer exercício, alimentarmo-nos adequadamente, temos que ser fieis à nossa busca: temos que ser saturninos.


O trânsito de Júpiter por Capricórnio ajuda, facilita, alivia este processo. É um processo da Terra. É um processo de Virgem/Capricórnio. É um processo em que é através da matéria e das formas concretas que podemos actualizar a Verdade do Espírito.


Como é que a vida prática pode expressar o impulso da minha Alma? De que maneira é que a minha vida já expressa aquilo em que eu acredito? Onde é que a minha vida, a que eu chamo a minha “vida prática”, a que eu chamo a minha “realidade”, onde é que esta minha realidade pessoal não expressa a Verdade da minha Alma?


Plutão em Capricórnio está a “passajar” a ligação entre Sagitário (os valores, o Caminho Espiritual) e a estrutura prática das nossas vidas (Capricórnio).


Qual é o emprego que me serve? Qual é a minha relação com o meu trabalho? Quais são as actividades práticas, quotidianas, que expressam quem eu realmente sou?


Amanhã (8 de Janeiro) existe a 1ª Lua Nova do ano, no Signo que está a ser mais convocado pelos planetas nos Céus (Capricórnio), e porque uma Lua Nova é o momento em que um novo impulso espiritual ganha lugar, onde uma nova semente é depositada na consciência dos homens, este processo vai pedir a cada um de nós que defina, que escolha.


Eu observaria no meu próprio mapa astrológico, e convido-vos a fazerem o mesmo, em que casa está o 17º grau de Capricórnio: por onde vai começar a mudança. Por onde precisa começar a mudança.


Depois veria que planetas tenho ao redor deste grau, o grau 17. Pode ser o grau 15, 16, 17, 18, 19. Saberia que outras energias, portanto que outros planetas, podem, devem, precisam ser convocados para os ajudar nesta reestruturação da nossa vida.


O objectivo de todos nós é depois de afinarmos a nossa relação com a Verdade, viver à altura daquilo que se estuda, que se aprende, que se acredita, que nos faz sentido. Porque senão, acreditar numa coisa e ter uma estrutura de vida diferente, que não é o seu espelho, não é o seu reflexo, não é a sua manifestação, é uma perversão. A mesma perversão dos católicos que se vão confessar ao domingo de manhã para poderem pecar a semana inteira.


Ética e poder espiritual é viver à altura daquilo em que se acredita. E viver à altura daquilo em que se acredita, com estas energias em Capricórnio, não é viver na nossa cabeça à altura daquilo em que se acredita. É permitir que haja uma certa reorganização atómica nas estruturas cristalizadas da nossa vida.


Tudo o que é estrutura vai estar a mexer ao longo deste ano.


A questão é: nós queremos ser vítimas e objectos dessa mexida, ou queremos ser agentes criativos e construtores dessa mexida. Que vai haver mexida, é certo e sabido.
Plutão significa, entre outras coisas, a aplicação correcta da força de vontade e do poder da Alma. Significa também a destruição inevitável de tudo aquilo que não acompanha, não suporta, não traduz a Verdade da Alma.


Desde que Marte e Plutão fizeram uma oposição no céu as nossas personalidades estão a ser confrontadas quase diariamente com o infinito mundo das contrariedades, das frustrações, dos impedimentos, dos medos, e de tudo aquilo que estimula o plano astral em cada um de nós. Seja no plano dos medos, das memórias, dos desejos, das preferências, do “gosto e não gosto”, do “sabe-me bem ou não sabe”, do “gratifica-me ou não me gratifica”, “satisfaz-me ou não me satisfaz”.


E Plutão diz-nos onde é que colectivamente a Humanidade - ou aquela parte da Humanidade que está sintonizada com esses processos, e é uma minoria -, onde é que esta pequenina parte da Humanidade tem a oportunidade de transformar e transformar-se e contribuir para a evolução.


Se servirmos esse propósito, o propósito que os Mestres conhecem e servem, podemos encarar a desestruturação, a destruição de algumas das estruturas da nossa vida como a libertação e a criação de um espaço vazio e do espaço novo para que a nova estrutura possa emergir e ser construída a partir desse vazio.


Mas se nós não estamos conscientemente sintonizados - e não há nenhum julgamento nas minhas palavras, é um processo impessoal -, se não estamos sintonizados com estas energias, com este propósito e com este apelo, então o que nós vamos encontrar é a morte de daquilo que mais tememos perder, que é aquilo que até ao momento, apesar daquilo em que acreditamos, ainda assim, simbolizava os resquícios da nossa segurança.

(...)


E quando eu falo nos “planetas” eu não falo numa espécie de Deus atrás das nuvens, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte, não é isto. Os planetas representam forças vivas dentro de nós, que nós podemos usar conscientemente e com a qual vibração nós nos podemos sintonizar.


Mas recordo-vos que quando falamos de vibrações planetárias como a de Urano, ou de Neptuno, ou daquela que nós estamos a falar neste caso especifico que é Plutão, o processo de alinhamento com estas energias está para lá dos limites do nosso Ego.


Isto implica criar abertura para que seja feita a Vossa Vontade, assim na Terra como no Céu. Essa é a tónica deste ano. É,seja feita a Vossa Vontade assim na Terra.
Júpiter em Capricórnio, Lua Nova em Capricórnio, Plutão a entrar em Capricórnio. Saturno a passar em Virgem. É um ano de Terra. E curiosamente, é um ano que propõe uma nova relação com as estruturas. Por quê? Simbolicamente 2008 tem a vibração de um 1, e um 1 é sempre um novo começo. Eu diria que este é um novo começo na vida prática, e para aqueles de nós realmente comprometidos com o Caminho (Sagitário) vai ser cada vez mais difícil viver uma mentira ou uma farsa. E esta mentira e esta farsa é o hiato entre aquilo que eu acredito e aquilo que eu faço e escolho fazer em cada pequena escolha, ou em cada grande escolha na minha vida concreta.


Claro que nada disto é uma espécie de ameaça cósmica, porque acima de tudo vivemos num Sistema Solar de 2º Raio, e o 2º Raio é Amor. E isto significa que não é “evolui senão lixas-te”, é mais: “podes escolher evoluir, podes escolher não evoluir, sempre terei amor para aceitar as tuas escolhas, e sempre terei a generosidade para te devolver às consequências da tua escolha. Eu não interfiro”. E quando digo eu, digo o Logos, digo a Inteligência Cósmica manifestando-se através de Leis Eternas como a de Retorno e a de Ressonância. Então depende de nós.


E quando eu digo “depende de nós” estou a falar de um conceito, que se refere também ele, a Capricórnio. Porque Capricórnio simboliza o sentimento de poder relativo que eu tenho para construir estruturas adequadas ou correctas.


Capricórnio simboliza aquilo que eu acredito serem os limites, serem as regras, serem as normas, ser a distribuição de poderes, ser a distribuição de responsabilidades, e com responsabilidade sempre temos uma outra boa ideia ligada com responsabilidade e esta ideia é a de poder pessoal. Eu só posso ter poder a partir das responsabilidades que eu assumo. Eu não posso querer ter poder responsabilizando algo ou alguém fora de mim. Porque se alguém tem responsabilidade, alguém tem o poder. É a mesma coisa. É frente e verso da mesma folha de papel. Não dá para dissociar.


Então Plutão a passar por Capricórnio também nos vai convidar, e eu diria mesmo a alguns de nós vai obrigar a rever: “o que é isto dos limites que tu acreditas que tens na tua vida?” e “quem disse? De onde vem esta regra? Qual é a verdadeira, a oculta, a submersa, a subterrânea causa desta regra que tu tens para ti próprio? Não podes, por quê? Tens que?! Onde é que isso está escrito? Que voz é essa? É a voz da tua Alma ou a voz dos teus avós?”


E quem diz “a voz dos teus avós”, diz a voz do teu marido, ou a voz do presidente da junta, ou a voz do professor, ou a voz seja de quem for.


É a tua voz, é o teu poder, é a tua responsabilidade, é a tua escolha. Tens a certeza que essa é mesmo a estrutura? Que esses são mesmo os limites? Que essas são mesmo as normas? Que é mesmo isso que tu escolhes que sejam os teus limites? Onde tens poder para mudar esses limites? Eles têm que mudar. Ou por tua colaboração, ou sem a tua colaboração. Com a diferença que sem a nossa colaboração o processo é mais doloroso porque não sentimos ter nenhum poder, nenhuma contribuição, nessa transformação, e porque não sentimos ter uma contribuição sentimo-nos vítimas.


E Capricórnio é também a energia que quando bem integrada nos ajuda a parar com as cantigas da lamentação, da justificação, da auto-justificação. “Ai eu não fiz porque”, “eu não posso porque”, “sim, mas…”


Então Plutão a passar por Capricórnio vai acabar com os porques. Claro que muitos porques em nós ainda vão estrebuchar.


Plutão em Capricórnio traz, para a Humanidade em geral, uma destruição de todas as formas de organização social, profissional, laboral, económica, governativa que nós conhecemos até agora. As instituições, os papéis, a importância dos títulos, a forma como se exerce o poder e o governo, a relação que nós temos com os nossos empregadores, a relação que nós temos com o nosso próprio projecto de vida – e eu não falo de trabalho nem profissão – o nosso projecto de vida, porque isso vai estar a mudar.


Mas “mudar, ai que fantástico!”? Não, vai começar a ser destruído, alterado. E a primeira etapa é haver uma desorganização dos átomos, das formas, para que depois com a liberdade que estes átomos conquistaram por se desagregarem da velha estrutura, a partir dessa nova liberdade os átomos podem re-agregar-se.


E quem conduz este processo? É o medo? O meu desejo? A minha ambição? A minha cegueira? O meu auto-envolvimento? O meu egoísmo? O meu “eu tenho é que fazer pela vida e o resto do Planeta que se fornique”?


Quem conduz este processo? É a parte maior, ou a parte inferior, da nossa natureza? Somos humanos e sabemos que temos uma dupla natureza. Metade divinos, metade animais. A questão é: vamos avançar levados pelas pernas, ou vamos comandar as pernas para que nos dirijam para onde o olhar se foca? Estou a falar de Sagitário, do centauro. E a meta, o horizonte deste centauro, é a nova estrutura da nossa vida.
(…)

ESTE É UM EXCERTO DA CONFERÊNCIA "PLUTÃO EM CAPRICÓRNIO (2008-2024): UMA MENSAGEM URGENTE"
(Copyright 2008 Nuno Michaels. Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Excerto de "Caranguejo, Personalidade e Alma"



Na sequência do interesse e entusiasmo que tem despertado o material astrológico que aqui tenho posto, aqui fica também um pequeno excerto da Conferência "Caranguejo, Personalidade e Alma" que aconteceu na última Festa de Verão - um evento maravilhoso que reuniu centena e meia de buscadores espirituais e seres de boa-vontade em torno de um programa que incluiu meditações, caminhadas, tai-chi, convívio e conferências de Astrologia proferidas por José Augusto, Maria Flávia de Monsaraz... e eu.


Nesta conferência é abordado o simbolismo e o significado do signo de Caranguejo do ponto de vista psicológico, enquanto regido pela Lua, e do ponto de vista esotérico, enquanto regido por Neptuno.




Porque uma coisa é falarmos dos "signos" e dos seus significados, e eventualmente dos traços psicológicos que lhes podemos associar... outra coisa é compreendermos cada signo como símbolo de um processo espiritual mais profundo, abstracto e abrangente.

Ou seja, como é vivida a energia simbolizada por Caranguejo quando é expressa ao nível da Personalidade, e como se expressa esta mesma energia na Vida quando é vivida a partir do plano da Alma?


A conferência começa com uma pequena meditação e a qualidade do som, não sendo perfeita, é bastante boa tendo em conta as condições em que foi gravada.


Esta conferência juntar-se-á em breve às que estão disponíveis no site http://www.nunomichaels.com/.

Para já, fica pois o excerto que pode ser descarregado aqui.