A VERDADE
A porta da Verdade estava aberta.
Mas só deixava passar meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade, porque
cada metade trazia o perfil da meia verdade
e a segunda metade
voltava igualmente com meio perfil
e os meios perfis não coincidiam.
Rebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a Verdade esplendia em fogos.
Era dividida em metades,
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela,
nenhuma das 2 partes era totalmente bela.
E era preciso optar.
Cada um optou
conforme o seu capricho, a sua ilusão, a sua miopia.
Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 23 de Setembro de 2008
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1 comentários:
Uma inconsciente paixão, desmesurada, por uma só metade.
Paz
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